Existem dois grandes clássicos da ficção científica militar: Starship Troopers, de Robert A. Heinlein – mais conhecido em Terra Brasilis pela adaptação ao cinema de 1997, Tropas Estelares – e Forever War, de Joe Haldeman. Enquanto o primeiro é uma metáfora da Segunda Guerra Mundial, com uma mensagem ambígua sobre o militarismo e até a necessidade do fascismo em tempos de crise, a livro de Joe Haldeman expõe a loucura da Guerra do Vietnã ao acompanhar a vida de um soldado que luta por milhares de anos em um conflito sem sentido. Joe Haldeman é ele próprio um veterano do Vietnã, sendo condecorado com uma medalha por ferimentos em combate.
Na história de Forever War seguimos William Mandella, que é recrutado no final da década de 90 para combater os misteriosos Tauran (o livro foi escrito em 1974). Para viajar até o front, os soldados precisam atravessar portais chamados Colapsars, que causam uma dilatação no tempo, fazendo com que o tempo subjetivo da nave seja mais lento que o tempo “real” do universo. Ou seja, quando Mandella retorna para casa após servir por dois anos, se passaram quase três décadas na Terra. E conforme eles viajam mais longe, maior é a dilatação, passando de décadas para séculos inteiros.
Para um livro sobre um conflito armado, Forever War tem poucas cenas de batalhas, transmitindo a sensação de que a guerra é uma quase eterna monotonia pontuada por breves momentos de profundo terror. A dilatação de tempo é uma óbvia metáfora ao sentimento de isolamento que os veteranos do Vietnã sentiam quando retornavam para casa. Após viverem por tanto horror, eles enfrentavam dificuldade em se adaptar àquele país que passava por mudanças arte e música, movimentos hippies, revoluções sexuais e etc. O artifício é bem construído ao longo do livro, e o leitor vê como cada vez mais Mandella se distancia da realidade, se sentindo apenas em casa na guerra ou na presença de veteranos. Os Tauran também aparecem pouco, os maiores adversários parecem ser a burocracia militar do que os Inimigos, propriamente.
Como curiosidade, a introdução é assinada por John Scalzi, autor de Agent to the Stars e Oldman’s War, e, mesmo gostando desse autor, é uma das piores que eu li até hoje. Scalzi fala mais sobre o seu próprio livro e as semelhanças com Forever War do que sobre o livro em si. Nem precisava ter introdução a meu ver.
Direitos para filmar um longa foram adquiridos por Ridley Scott e, pelo que vi, ele vai se debruçar sobre o projeto após acabar de filmar Robin Hood. Mesmo não gostando dos últimos trabalhos de Ridley Scott, não preciso nem lembrar que ele dirigiu Alien e Blade Runner, então se alguém em Hollywood hoje consegue fazer uma versão de Forever War que não seja um lixo, ele é o cara.
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Parece mesmo uma ótima leitura.
Concordo com você que o Ridley Scott tem errado em seus últimos trabalhos. A expectativa para Robin Hood é boa. Também acho que ficaria legal uma versão dele de Forever War…