13 dicas para enfrentar o bloqueio de escritor

bloqueiocredito foto: re_birth

Bloqueio de escritor é a pior coisa que existe. Eu sei que as pessoas muitas vezes tem uma imagem cômica do bloqueio de escritor, com o pobre diabo se descabelando noite adentro em frente a uma folha em branco. Mas ele existe e pra mim é pior que dor física, mais humilhante que brochar. Acredite, é ruim demais.

Como mera curiosidade, o livro Cause of Death aponta um estudo norte-americano que mostrou que a taxa de suicídio entre escritores é 18% maior que o da população geral do país. Veja também uma lista de escritores que se suicidaram e uma matéria da Times Online sobre os Top 10 suicídios literários. Leituras divertidas.

Como evitar o bloqueio? Para começo de conversa, existem diversos níveis de bloqueios. O mais conhecido é aquele que incapacita o escritor, porém existe também a sensação de que tudo o que você escreve é ruim ou de que o escritor nunca criará nada tão bom quanto antes. Esse último, inclusive, foi um dos motivos que levou Hemingway a arrebentar a própria cabeça com uma espingarda, então não subestimem os acessos mais leves. Mas diferenças à parte, o tratamento é semelhante.

Já fugi demais do assunto. Seguem algumas dicas de como enfrentar esse mal, baseado em experiências próprias e conversas com colegas escritores. E quem sabe assim a gente consegue diminuir essas estatísticas.

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1 – Vá viver a vida: Ficar bloqueado por um dia ou dois não é problema. Saia com amigos, assista um filme, faça sexo, leia um livro, vá ao teatro. Qualquer coisa que você gosta pode ajudar a clarear a cuca. Boa parte das vezes só isso já resolve.

2 – Desconecte-se: Vivemos em uma época com muitas distrações que se tornam uma fonte rica de desculpas para não enfrentar a desagradável sensação que o bloqueio dá. Esqueça que existe TV, MSN, Orkut, Twitter, celular. E escrever é escrever, não pesquisar informações para textos na internet.

3 – Disciplina: É bom se acostumar a ser a mãezona chata de si mesmo também. Eu, por exemplo, só me permito jogar no computador depois que escrevi (ou tentei) a minha cota de tempo pretendida para o dia. Só posso ir brincar depois que terminei a lição de casa. É difícil, mas vale a pena aprender a dizer não pra criancinha mimada que a gente é no fundo.

4 – Use o seu “tempo morto”: Você não está escrevendo só quando a sua bunda se encontra com a cadeira. Você pode pensar sobre seus textos qualquer momento que o seu cérebro não está engajado em uma tarefa complexa. Sabe aquelas duas horas perdidas no ônibus todo dia? Escreva. Caso você fique enjoado com facilidade, o que é muito comum, apenas pense. Simplesmente pense em sua história, que quando a bunda de fato se conectar com a cadeira você não vai precisar começar do zero.

5 – Tenha uma rotina: Estipule um horário para escrever todos os dias, nem que seja por meia hora depois do trabalho ou antes de começar a sua aula. O seu cérebro acaba entrando no “modo escritor” mais facilmente. E não venha com esse de “não ter tempo” que meia hora de sono a menos não mata ninguém.

6 – Puxe ferro: Qualquer forma de exercício serve, na verdade. Seja andar, correr, pular corda ou jogar bola. Exercícios aeróbicos ajudam a oxigenar o cérebro. E depois de um banho e uma boa soneca você está como novo, inclusive no campo das idéias.

7 – Escreva sobre não conseguir escrever: Esse curioso método deu certo para mim. Eu passei a escrever para o bloqueio, reclamando dele, xingando, mandando o infeliz ir embora. Os textos não eram literatura muito boa, vale dizer, mas lavavam a alma. O bloqueio se tornou até mesmo um personagem recorrente na minha vida, um demoninho invisível que pesa no meu ombro direito. Vez ou outra eu até olho para o meu ombro e reclamo com ele em voz alta, muito para a surpresa de quem está à minha volta.

8 – Planeje a história: Faça diagramas, resumos do que você planeja contemplar nos capítulos, escreva poemas que seus personagens escreveriam, biografias deles, mesmo que seja algo que não vai entrar na versão final. Para quem sabe desenhar minimamente, fazer storyboards da história ou desenhar os personagens pode ajudar.

9 – Escreva ALGO: Escreva palavras desconexas, frases que você gosta, coisas que alguém te disse no dia, qualquer coisa. Esse processo pode não ajudar muito no momento que você escreve, mas eu colhi certos frutos com esse método depois de um bloqueio particularmente longo, de alguns meses.

10 – Desencanamento: Nem tudo o que você poe no papel ou no silício precisa ser A Grande Obra Definidora da Sua Vida. Se conformar com alguns eventuais momentos de mediocridade vai poupar muitos cabelos brancos na sua cuca.

11 – Mande a musa às favas: Nada de ficar esperando a inspiração aparecer. “Escrever é 10% de inspiração e 90% transpiração”, diz o ditado. Não digo que você precisa ficar batendo a cabeça na parede indefinidamente, mas sente-se e sofra um pouco pelo menos todo dia que um dia a musa reaparece. Provavelmente com a cara de culpada de quem ficou aproveitando mil baladas noites afora, a safada.

12 – Música: A música pode funcionar como um bom isolante de distrações externas, particularmente as que você gosta. Parece relaxar a cabeça enquanto você olha para o texto. Eu gosto de músicas mais tranquilas, mas alguns escritores escutam coisas mais pesadas. Stephen King, por exemplo, disse em uma entrevista que escreve ouvindo bandas como Metallica e ACDC em um volume altíssimo.

13 – Uma palavra depois da outra: Essa foi a sugestão que a patroa me deu uma das muitas vezes que eu fui reclamar da vida porque estava bloqueado. “Escreva uma palavra. Agora escreva a próxima. Agora a próxima. Repita até terminar o texto e me deixe em paz”. E quer saber? Não é que o negócio funcionou!

Mesmo sendo mais relacionado com ficção, decerto algumas dessas dicas podem ajudar jornalistas, particularmente na criação de crônicas. Sintam-se livres para postar suas sugestões pessoais nos comentários.

Abraço,

Solari, taverneiro

11 Respostas

  1. a sugestão 13 é a melhor!!!!!! Funciona mesmo!!

  2. Bloqueio criativo é terrível. Essas dicas são bem pontuais, algumas funcionam comigo. Vale a pena tentar.
    Belo “tutorial” rs

  3. A 13ª me fez rir e me deu uma idéia!
    (Logo logo ela aparece no Barreira…)

    Já viste “Mais Estranho Que A Ficção”? Acho esse filme bom!
    Tem a ver com bloqueio e talz…
    ^^

  4. Filme muito bom mesmo.

    Até que eu gostaria de encontrar os meus personagens andando pelo mundo, mas acho que a maiorira não ia ficar muito feliz em me ver.

    Eu complico bastante a vida dos coitados.

  5. HuHAUAhUAHAuaHUAhUAHAuaH.
    Seria engraçado. =X

  6. Guilherme Solari, simplesmente adorei suas dicas, e de cara peço licença pra reproduzi-las (sob crédito seu,é claro!) no meu blog A BALESTRA, ok?

    A propósito, quando você não tiver o que fazer, leia no link abaixo o que já escrevi também sobre não ter o que escrever…

    http://jrbalestra.blogspot.com/2008/04/plstica-num-post.html

    abs

    José Roberto Balestra (Maringá – PR)

    (P.S.: já linkei seu Taverna…)

    • Bem-vindo à Taverna, Balestra.

      E sinta-se livre para reproduzir as dicas no seu blog.

      Quanto mais gente se desbloquear, melhor pra todo mundo.

      ABS,

  7. Solari,
    Suas dicas são sensacionais! Sou um garoto ainda, mas, sempre gostei de escrever, e sempre fui muito bom em me expressar com as palavras escritas.

    Obrigado por salvar minha vida,
    Paulo.

  8. Adorei as dicas! O que mais me custa não é pensar o decurso da história, mas sim quando uma pessoa tem preguiça de mais pra levantar do sofá e sentar à frente do papel ou do computador e escrever Q.U.A.L.Q.U.E.R C.O.I.S.A!

    Muito obrigada pela força. Certamente vai ajudar!

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