Clássico sci fi adaptado ao cordel ficou como comer rapadura com champagne
Gosto muito de cordel, apesar do meu pequeno conhecimento no assunto, que se limita a duas revistinhas compradas em uma feirinha, mas muito relidas e guardadas com bastante carinho. E qual não foi a minha surpresa quando encontrei essa adaptação em cordel para um dos clássicos da ficção científica; Viagem ao Centro da Terra, de Júlio Verne?
Por mais que eu esperasse o melhor de dois mundos, e quisesse muito apreciar, tive uma relação complicada com Viagem ao Centro da Terra em Cordel. Aquele humor matreiro encontrado em João Soldado, Zé Bico Doce e no Auto da Compadecida não está presente aqui, com a história sendo narrada em um tom muito sério, europeu. E depois de algumas páginas, quando o artifício inusitado do cordel sci fi perdeu um pouco a novidade, a narrativa ficou tediosa. A obra também podia ser melhor adaptada. Ela possui grandes buracos narrativos e para quem não conhece a história fai ficar difícil compreendê-la de forma satisfatória. A minha impressão é que a história foi simplificada demais para atingir um público infantil, quando poderia ter uma adaptação mais cuidadosa.
E por mais que eu compreenda a necessidade de remuneração do autor e os esforços da editora Nova Alexandria, eu não acho 25 reais o preço justo por um livro de 48 páginas que se lê em pouco mais de meia hora, cordel ou não cordel. Ainda mais para um formato com histórico de grande acessibilidade popular devido também ao preço. No evento literário no qual eu encontrei o livro, alguém levantou essa questão e os cordelistas responderam que os tomos são muito comprados pelo sistema de educação para ajudar a difundir o cordel nas escolas, portanto ele não estaria sendo “elitizado”. Enfim talvez seja bom do ponto de vista da educação, mas não estou tão certo se é para os consumidores em geral.
Eu desejo muito que esse renascimento do cordel dê certo, pois tenho grande apreço por ele e considero esse formato um patrimônio cultural do nosso país. Também tenho grande respeito pelo movimento cordelista, muito ativo em São Paulo, e pelos autores que ajudam a manter viva essa nossa poesia, mas Viagem ao Centro da Terra em Cordel não me agradou e fica difícil recomendá-lo a amantes do cordel ou da ficção científica.
Quem quiser saber mais, leia esta matéria sobre esse movimento de adaptações em cordel que eu fiz para a Livraria da Folha.
o bom: ilustrações interessantes
o ruim: preço; buracos narrativos; adaptação simplista
links[livraria da folha][editora]
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Um menino que sobe nas árvores e jura nunca mais descer e passa a vida entre galhos e folhas
Romance que se revela um verdadeiro guia passo a passo de como dar um golpe militar com mercenários


