Depressão pós-cafeína

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O motivo principal que me fez dar uma parada aqui na Taverna é que eu queria fazer algo comunitário, um esforço conjunto ao invés de escrever sozinho. E é isso que eu estou fazendo com o colega Thiago Peres no blog Depressão pós-cafeína.

A direção do Depressão está mais jornalística que a Taverna, mas ainda possui uma coluna de ficção. O Thiago, do Sala do Cafezinho, assina a Cultura e Adjacências sobre cultura e, bem, adjacências e a coluna Desporto de esporte.

Eu, por outro lado, estou cuidando da Blogosfera que discute sites e blogs interessantes e o Paulistano e Paranóico, que lida de maneira semi-ficcional, e espera-se bem humorada, com as doideiras dos moradores da Grande Puta Cinza.

Planejamos alguns outros colunistas mais adiante se tudo continuar dando certo, além de podcasts e talvez algumas aventuras em vídeo. Mas estamos só vendo como a coisa anda por enquanto.

Penso em retomar a Taverna um dia, gosto bastante desse lado mais solitário/literário, mas por hora estou a fim de dar uma mudada. Continuo escrevendo a série Esquadrão Fracasso e contos diversos que talvez eu recoloque aqui mais pra frente.

Abraço a todos, confiram o Depressão pós-cafeína e lembrem-se que novos colaboradores serão muito bem vindos, é só dar um toque.

Solari, taverneiro

Lacrado pela prefeitura

Por motivos pessoais, vou ficar alguns meses sem postar no blog.

Abraço a todos,

Solari, taverneiro

Caricatura

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Caricatura de mim cometida pelo colega de redação César Hirasaki. No começo eu achei que o nariz estava meio exagerado, mas as pessoas confirmaram que é mais ou menos assim. É… a verdade dói.

Solari, taverneiro

Doce, tão doce, vingança

Costumo andar distraído pelas ruas. Eu costumo andar escrevendo, sem colocar as palavras no papel, mas pensando em saídas e possibilidades para meus textos. Claro que já quase fui atropelado mais de uma vez, mas o assunto agora é outro.

É sobre aquele cachorro. Aquele maldito cachorro. Um labrador da rua aqui do lado. Chego todo dia já de noite no metrô e vou andando pra casa, envolto em meus pensamentos. O safado me assusta todo o santo dia. Todos, menos naquele.

É claro que os cachorros latem quando alguém passa pelas ruas, nada de novo nisso, mas o desgraçado do cachorro elevou o ato de me assustar a uma arte. Ele não late quando me vê, não, ele é esperto demais pra isso. Como um experiente franco atirador, ele me aguarda nas sombras até que eu esteja próximo o bastante para que ele avance contra o portão latindo, me fazendo pular para o lado, xingando de susto. E eu juro pra vocês, dá pra perceber que por trás daqueles olhos caninos ele está me chamando de otário e rindo da minha cara. Juro pra vocês.

Agora, era de se imaginar que depois de uma ou duas vezes eu me acostumasse com o bicho, e já viesse preparado para ele. Mas infelizmente não é assim que as coisas funcionam comigo. Por mais que eu me lembre que preciso me preparar para o labrador no metrô, quando caio na rua já começo a pensar que aquele personagem poderia na verdade ser o herói da história, mesmo com um lado negro de maldade criado devido à sua infância dif.. BAM! O safado me assustou.

Por um bom tempo ele se tornou minha obsessão. Meu oposto. Minha Moby Dick. Sonhava no dia em que eu me lembraria antes e estaria preparado. Inclusive ele me assustou um dia em que eu sonhava em estar preparado. Sim, o desgraçado é bom.

Porém o destino interveio um dia, talvez por piedade, talvez por capricho. Chegara a hora da minha tão aguardada vingança.

Um dia, pela primeira vez nos três anos que moro aqui, eu me lembrei do cachorro ao entrar em sua rua. Lancei meu olhar para frente para ver o desgraçado e quem sabe mostrar o dedo do meio pro filho da mãe enquanto ele latia em vão conforme eu passava, mas o universo foi muito mais bondoso comigo naquele dia. Com a cabeça apoiada sobre as patas bem ao lado do portão, ele dormia. Dormia como se fosse novamente um filhote. Dormia como que envolto em sonhos caninos de paz e tranqüilidade. Eu soube na hora o que devia fazer.

Retirei em silêncio um pára-choque quebrado da caçamba ao lado. Levantei o objeto e PÁ!, bati com tudo do lado da cabeça do safado, fazendo-o saltar longe de susto, olhando freneticamente aos lados como em busca da ameaça que o acordara. A cena inundou o meu corpo com uma sensação quase orgásmica.

Olhei fundo nos olhos do meu oponente e falei “Não é tão engraçado quando é com você, né?”. E, juro pra vocês, deu pra perceber que mesmo sendo um cachorro ele entendeu cada palavra do que eu disse.

Também foi só dessa vez. De lá pra cá ele me assusta de novo todo o santo dia. Mas a satisfação daquele único momento… Isso ele nunca vai poder tirar de mim.

Baseado em fatos verídicos.

Solari, taverneiro

Esquadrão Fracasso - Capítulo 1: Edição do Autor

Está disponível para a apreciação dos freqüentadores da Taverna Fim do Mundo o primeiro capítulo do Esquadrão Fracasso, chamado de Edição do Autor. O Objetivo é postar no começo de cada mês um capítulo fresquinho saído dos fornos do estabelecimento para alimentar a clientela. Sendo assim, já adiantei o de fevereiro.

Nesse capítulo aparece a estrutura principal do livro, com muitos diálogos e ação, tentanto fugir do tom documental do prólogo. Um terceiro tipo de estrutura serão as gêneses dos personagens, que contam como cada um ganhou os seus poderes no fatíco reveillon de 2009.

Os nomes do capítulos futuros foram colocados na página principal do Esquadrão Fracasso e mostram mais ou menos algumas das idéias que eu tenho para o andamento da coisa. É claro que muita coisa pode, e vai, mudar conforme o Esquadrão for escrito e os próprios textos merecem uma bela revisão mais pra frente.

Vale lembrar que se você tiver uma boa idéia de super herói que você quis ler um dia, a hora é agora. Os colaboradores vão receber os devidos créditos. ;)

É isso então, aos corajosos para encarar o calhamaço, boa leitura. E abraço a todos.

Solari, taverneiro (luta contra o crime nas horas vagas)

Esquadrão Fracasso - Como tudo começou

Depois de ter meu livro sistematicamente ignorado pelo mercado editorial do Brasil, restou apenas uma opção para mim: começar a escrever outros dois.

Após dois meses de hiato em que estive ocupado explorando o meu próprio umbigo, retornam as atividades na Taverna Fim do Mundo!

Claro que não me ocupei apenas do meu umbigo, estou entretido escrevendo sobre o curioso povo japonês no jornal Tudo Bem. Aquele que você não vai encontrar nas bancas por que é apenas distribuído lá na terra do Sol nascente.

Mas quando não estou digitando sobre tiroteios yakuza, suicídios coletivos e professores sexagenários bulinando colegiais, ainda escrevo livros espremido entre as assustadas pessoas do metrô.

E no momento ando entretido com dois projetos de, como sempre, possibilidade bem duvidosa de sucesso comercial, porém, como sempre, divertidos pra burro de desenvolver. Manterei segredo por hora sobre um deles aos amigos da Taverna, mas vou retirar o pano de minha outra criação e revelar…

Esquadrão Fracasso - Uma História de Superheróis na Cidade de São Paulo

Ehm… não vá embora ainda. Não deve ser tão ruim assim. Espero eu.

Os de melhor memória vão recordar a idéia inicial neste post e disponibilizei uma página na Taverna para o livro. O prólogo já está lá e em breve (leia-se: próximos meses) colocarei outro capítulo e a gênese de um dos vilões; o temido Garganta Negra.

Acho o texto um pouco grande para a internet, mas vá lá, é melhor que não postar nada. Parece que vira e mexe tem algum maluco que lê os textos mais longos até o final.

Abraço a todos e bom ano novo,

Solari, taverneiro

Six String Samurai

Trilha sonora pela banda comunista de surf music The Red Elvises. Mais informações sobre a banda e outras cenas do filme NESTE post do O Pasqual.

Alguns filmes são bons, alguns filmes são ruins e alguns filmes são tão ruins que se tornam bons. Eu sempre preferi assistir a um filme péssimo do que a um filme mediano. É minha opinião que, quando o assunto é arte, o idiota e o gênio tem mais em comum entre si do que com o medíocre. É muito tênue a linha que separa o gênio do idiota. E apresento como perfeito exemplo disso o filme Six-String Samurai.

Entrei em contato com esse filme quando o traduzi para um estúdio de dublagem. Em meio às hordas de filmes chineses de kung-fu dos anos 70 que o estúdio enviava (nem pergunte…) veio um dia o Six-String Samurai.

six-string.jpegO enredo do filme já é cômico por si só. Nos anos 50, conta o narrador, a Rússia invadiu os Estados Unidos depois de um ataque nuclear e dominou boa parte do país. Os últimos remanescentes dos EUA se reuniram na cidade de Las Vegas, rebatizada de Lost Vegas, e Elvis foi coroado rei da nova cidade estado. “Mas depois de 50 anos de Rock and Roll”, continua o narrador; o único herdeiro do rei morre e diversos guerreiros músicos vão à Lost Vegas na esperança de se tornar o novo rei do Rock.

O filme é uma espécie de mistura de Mad Max com Senhor dos Anéis dirigido por alguém que tomou ácido. Mas muito ácido. Em sua viagem até a cidade de Lost Vegas o protagonista e um garoto que o acompanha encontram vendedores de carro canibais, mariachis guerreiros, zumbis astronautas, jogadores de boliche assassinos, robôs alienígenas, mutantes da areia, generais russos renegados, cheerleaders prostitutas, anões contrabandistas e ninguém menos que a Morte em pessoa, que quer para si o título de rei do Rock.

A trilha sonora do filme é assinada por uma banda russa de surf music chamada Red Elvises, que consegue ser ainda mais estranha do que o nome sugere (mais sobre ela neste post do O Pasqual que mencionei).

six-string2.jpegEu confesso que quando eu assisti o filme para a tradução eu não gostei. Mas eu me peguei pensando nele ao longo dos meses, até o dia em que eu o assisti de novo e ele pareceu de repente fazer sentido pra mim. Ele tem uma personalidade própria, sensibilidade semelhante a de um Tarantino, mas sem aquela vontade de mostrar serviço na parte das referências. Six-String Samurai nunca se leva inteiramente à sério e fica o tempo todo brincando de malabarismo naquela tal linha que separa o genial do idiota. Quando ele cai do lado do genial é bonito de ver, e quando cai no lado idiota ele parece cair com tanta vontade que mais parece uma criança brincando. O filme parece dar risada, sacudir a poeira e voltar pro malabarismo.

O filme é de um diretor obscuro chamado Lance Mungia, cujo único outro trabalho na direção foi uma adaptação não muito feliz do quadrinho The Crow em 2005 (um daqueles filmes não tão ruins para serem bons). E o ator principal Jeffrey Falcon, que fez diversos filmes de artes marciais em Hong-Kong nos anos 80, escreveu o roteiro junto do diretor.

Outra Placa Perto de Casa

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Acho que interpretaram que o local onde não se pode jogar lixo é só a área imediatamente abaixo da placa. A prefeitura devia ter sido mais específica.

Solari, taverneiro

Placa Numa Praça Perto de Casa

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Sampa Life 3: A Grande Puta Cinza

O cheiro de urina envelhecida na base do Viaduto do Chá resumia tudo o que a cidade havia lhe dado nos últimos dez anos. Já foi feliz um dia, lembrava disso. Lembrava ter tido umas cabeças de gado perto de uma cidadezinha chamada Salmorão. Lembrava que foi casado e que tinha uma filha cujo nome esqueceu, mas seu rosto não. Lembrava que perdera tudo no plano Collor, isso ele nunca esqueceria, e que veio a São Paulo em busca de perspectivas, mas… era tudo tão confuso… As suas memórias se entrelaçavam tanto com suas fantasias criadas pela confusão mental devido aos excessos de cachaça e solidão que nem tinha certeza se essa pacata vida de fazendeiro um dia foi sua, ou se inventou, ou roubou para si de alguém num dos muitos botecos onde gastou a madrugada quando tinha alguns trocados. Merda, nem mesmo tinha certeza se fazia dez anos ou apenas dois! A sensação era que fazia uma vida. Ele se chacoalhou como que tentando derrubar tais pensamentos da cabeça. Lembrar desses tempos felizes, reais ou não doía, como encarar o sol quando se acorda. Precisava urgentemente arranjar alguma coisa pra beber.